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  ENTREVISTAS
 

  REV. ANDERSON CALEB

 

   Fonte: Juventude Wesleyana Regional

Rev. Anderson e sua esposa, Lucimar Bichara "Pelos frutos se conhece a árvore”. Este ditado popular, que possui base bíblica (Mt 7:17-18), pode ser aplicado à história da Juventude Wesleyana. Ao longo de décadas, através da nossa Juventude, Deus tem levantado grandes homens e mulheres como instrumentos vivos em suas mãos.  São servos de Deus que influenciam gerações e abençoam milhares de vidas. Um destes frutos é o Rev. Anderson Caleb. Quem olha para ele hoje talvez não conheça a sua história como um jovem wesleyano.

 

Atualmente, o Rev. Anderson Caleb é Secretário Geral de Educação Cristã, Superintendente Distrital em Volta Redonda e pastor da IMW no Aterrado. Bacharel em Teologia, Advogado, Professor Universitário e Escritor, é casado com Lucimar Bichara. Tem abençoado milhares de pessoas através de seu ministério, pregações, livros, artigos, programas de rádio e TV.

 

Nesta entrevista, ele nos fala sobre sua história, mídia, política e avivamento. Ele acredita que é possível um avivamento verdadeiro nos dias de hoje, mas faz um alerta: “Muitas igrejas e denominações vivem de ciclos. Devemos nos inspirar num modelo de avivamento contínuo como o de Atos dos Apóstolos”.

 

Leia a íntegra desta entrevista abençoada.

 

JuventudeWesleyana.com.br – Conte-nos um pouco sobre sua história como um jovem wesleyano.

 

Rev. Anderson Caleb – Fui batizado em 1978 na Igreja Metodista Wesleyana do Retiro em Volta Redonda. Ali fui adolescente e jovem e com 13 ou 14 anos já pregava nos cultos. Antes dos 18 anos, comecei a liderar os jovens da Igreja. Desde o final dos anos 70 e toda a década de 80 participei assiduamente de eventos distritais e gerais (na época não existia as regiões eclesiásticas). Participei de supervisões distritais e em seguida fui para o Seminário. Viajei muito e conheci muita gente por esse Brasil. É bom ser de uma Igreja como a nossa, pois conhecemos gente de todos os lugares e estados. Escrevi numa revista chamada Jovem Wesleyano no tempo do Odilon, sob a liderança do Pr Cláudio Divino e o Pr. Hely Guerra era o Secretário Geral de Educação. Acho que essa revista só teve umas poucas edições, estou bem jovem na foto. Me dediquei a pregação e ao ensino na Juventude. Vigílias e orações em montanhas eram comuns na época, viagens, etc. Por volta dos 18 anos, já havia realizado um seminário para Oficiais da EBD (Escola Bíblica Dominical). Lembro-me que minha apostila foi aprovada e revisada pelo saudoso Pr. Pereira de Assunção.

 

JuventudeWesleyana.com.br – Fale-nos um pouco sobre sua trajetória ministerial. Como aconteceu o seu chamado? Quais igrejas o senhor pastoreou?

 

Rev. Anderson Caleb – Considero que fui separado para o ministério quando aos 07 anos de idade fui curado de um tumor maligno no cérebro. Essa cura causou muitas conversões na época, como por exemplo quase todos meus familiares por parte de mãe. Entretanto aos 13 e 14 anos a chamada foi ficando forte em minha vida. Nesse tempo, com 13 anos, fui batizado com o Espírito Santo e então não consegui me conter, pois inflamado pelo Espírito Santo comecei a pregar e me envolver com evangelização e oração. Fiz o CEFORTE, na primeira turma da Extensão de Volta Redonda, sob a Direção do Pr. Cláudio Divino. Depois, o Pr. Jamir o substituiu. Ao terminar o CEFORTE ainda não entrei no aspirantado. Fui fazer faculdade de Direito. Depois de formado, fui nomeado colaborador no Aterrado e então consagrado Pastor em 1991, onde comecei a pastorear como titular a Igreja em Monte Castelo.

 

JuventudeWesleyana.com.br – Além de apascentador, o senhor é autor de diversos livros.  Quando surgiu a idéia de escrever?

 

Rev. Anderson Caleb – Desde muito cedo. Desde o início dos anos 80, ainda adolescente, já escrevia para o Voz Wesleyana, Mensageiro da Paz(CPAD), Revista A Seara(CPAD), Folha da Cidade(Semanal de Volta Redonda), Jornal do Retiro (meu bairro na época), Diário do Vale, Tabernáculo e alguns outros periódicos que não me lembro agora. Publiquei alguns Livros: Outras Vidas ou Vida Eterna, Noções de Direito Eclesiástico, Quanto Tempo Ainda Nos resta, Wesley Ainda Fala, A Constituição Brasileira e o Novo Código Civil, e por último (esgotado) Os 10 Hábitos dos Pregadores Altamente Eficazes. Tenho outros títulos em andamento, ainda embriões. Ler e escrever são hábitos inseparáveis em minha trajetória.

 

 

Capa do último livro do Pr. Anderson Caleb

JuventudeWesleyana.com.br – O senhor já apresentou programas de rádio e TV. Na sua opinião, qual a importância da utilização dos meios de comunicação na propagação do evangelho?

 

Rev. Anderson Caleb – Não podemos desprezar nenhum meio, nenhuma mídia para espalhar as boas novas do Evangelho. Usar Rádio e TV com ética e uma mensagem relevante e atraente é uma estratégia evangelística e pré-evangelística. Tenho diversos e-mails e cartas de pessoas que encontraram Deus pela Televisão. Às vezes a colheita é lenta, mais o alcance compensa o investimento. Entretanto TV e Rádio são vitrines. Se não colocarmos o que é bom mesmo, o efeito será negativo contra nós. Ou se faz bem feito ou não se faz.

 

JuventudeWesleyana.com.br – Além de Bacharel em Teologia, o senhor é advogado, pós-graduado, professor universitário. Qual a importância da formação secular na vida de um jovem cristão?

 

Rev. Anderson Caleb – Extremamente importante. O jovem cristão e até mesmo o líder cristão deveria ter também alguma formação secular em alguma área científica, pois isso amplia horizontes e facilita o diálogo com a sociedade e com a geração atual. Deus usa quem quer. Mas Deus não só capacita os chamados como também chama os capacitados. Existe um provérbio por aí que afirma que "Deus não chama os capacitados, mas capacita os chamados", porém eu discordo: Moisés, Isaías, Paulo, Daniel, eram pessoas capacitadas nas ciências e línguas da época e mesmo assim foram chamados e usados por Deus. Certas percepções da realidade só serão possíveis ao se estudar certas ciências. A Bíblia é suficiente para a salvação, mas o verdadeiro cristão não precisa temer a escola. Aliás, precisamos de mais intelectuais com princípios e ética cristã para influenciar e até mesmo evangelizar melhor os ambientes pensantes e formadores de opinião. Quando já pastor, por quase cinco anos dei aula de Direito na Faculdade e pude perceber como os meios universitários carecem do testemunho de Jesus.

 

 

Pr. Anderson e parte da Juventude Wesleyana do AterradoJuventudeWesleyana.com.br – Na década de 90, houve um grande crescimento das igrejas evangélicas em nosso país. Sem dúvida, este crescimento trouxe benefícios e prejuízos. Como o senhor analisa a situação atual do evangelho no Brasil?

 

Rev. Anderson Caleb – Sem pesquisar mais profundamente, penso que a tendência hoje ainda é a da teologia da prosperidade na sua pior concepção. Vejo crescimento, vejo mais unidade, vejo mais contextulização e mais espaço na mídia, vejo menos legalismo, porém menos ênfase no ser e mais ênfase no ter.

 

JuventudeWesleyana.com.br – Estamos em um ano eleitoral e temos presenciado muito extremismo por parte de alguns evangélicos. Há cristãos que não suportam ouvir falar em política, outros utilizam até a Palavra de Deus para beneficiar seus candidatos. Afinal de contas, qual é o verdadeiro papel da Igreja na política? Como o cristão deve se comportar diante das eleições? 

 

Rev. Anderson Caleb – Evitar os extremos: nem alienação nem engajamento cego e aético. A Igreja deve manter-se como guardiã da mais alta ética e deve como instituição se afastar da política sob pena de não ter autoridade para ser voz profética nesta nação. Mas o cristão não pode ser um alienado. O governo e autoridade vêm de Deus. A Bíblia não advoga o anarquismo. A igreja não pode se iludir, não é o poder do evangélico que muda a nação, a cidade, mas o poder do evangelho. A igreja deve ser sim uma usina de cidadãos éticos e comprometidos com o direito e a justiça social. Deus usou Eliseu para jogar sal na fonte em Jericó e sarar as águas. Esse é nosso papel: fornecer cidadãos, autoridades, governantes transformados pelo poder do evangelho que por suas convicções e valores transformarão as fontes do poder. Deve ainda a Igreja ter coragem profética para denunciar pecados sociais, leis desiguais e injustas, emitir opinião, patrulhar o Congresso Nacional e denunciar os políticos que traem seus eleitores, principalmente evangélicos. O fato é que a Igreja só se manifesta quando se vê ameaçada como instituição. Precisamos discutir mais política, estudar mais política, influir mais na elaboração das leis, mas sem nos vendermos, sem alugar legendas, sem a ideologia do toma-lá-dá-cá. Por que nunca temos palestras sobre nossos direitos constitucionais em nossos congressos? Por que não debatemos nossas leis à luz da Bíblia? Por que separamos santidade de cidadania? Às vezes penso que a igreja torce para o pior pra ver se Jesus volta mais rápido. Mas o Mestre nos chama a ser sal da terra e luz do mundo e no mundo.

 

JuventudeWesleyana.com.br – Em seu livro “Wesley ainda fala”, conhecemos um pouco da história de John Wesley e do Avivamento na Inglaterra. Quais são as características de um verdadeiro avivamento? 

 

Rev. Anderson Caleb – Aquelas de Atos dos Apóstolos e do despertamento wesleyano do Século XVIII: Piedade, oração, santidade, entusiasmo, pregação fora dos templos, ensino das Escrituras, coração abrasado, aquecido, socorro ao necessitado etc. O avivamento wesleyano deu certo porque começou com santidade e não com barulho, luzes e efeitos especiais. Deu certo porque lia-se e estudava-se a Bíblia. Deu certo porque saiu das quatro paredes, ainda que expulso e foi para as praças, minas de carvão, para as esquinas, para os lares e pequenos grupos, escolas. Deu certo porque veio do berço, família piedosa; deu certo porque delegou, desclericou-se, deixou o vento soprar entre leigos, mulheres, deixou o Espírito se derramar sobre todos e usar a todos. O Avivamento Wesleyano é um excelente laboratório de pesquisa. Tinha fogo, mais tinha lenha; havia erudição mais havia espontaneidade; música e pregação; oração e ação enfim temos ainda um vasto campo de investigação da ação de Deus entre os metodistas primitivos. É claro sem engessar a mente e sem amarrar o Espírito em tradições.

 

Guilherme Costa, Rev. Anderson Caleb, o ex-supervisor Jeronides e Gustavo Costa

 

JuventudeWesleyana.com.br -  É possível um avivamento verdadeiro nos dias de hoje?

 

Rev. Anderson Caleb – Claro. Mas não é facil. Penso que se observarmos o que diz 2 Crônicas 7.14 já é um bom começo. Acho ainda que devemos buscar de Deus o que Ele tem para nós brasileiros, wesleyanos brasileiros e não imitar os antigos enlatados americanos. Podemos aprender e muito com os avivamentos do passado, mas nunca nos esquecer que hoje os tempos são outros; as cabeças são outras; os desafios outros; as armas de satanás outras. No avivamento do século XVIII devemos buscar mais princípios do que formas. Muita coisa que chamamos de avivamento não é avivamento, mas movimento. Muitas igrejas e denominações vivem de ciclos. Muitos se acostumaram a um despertamento espiritual cíclico como nos livros de Reis e Crônicas. Quando o Rei era bom e piedoso havia avivamento, quando o Rei era mau, o esfriamento era inevitável. Esse despertamento cíclico geralmente é personalista: "vamos trazer o irmão fulano que é fogo puro" quando ele vai embora leva o fogo, não é. Devemos nos inspirar num modelo de avivamento contínuo como o de Atos dos Apóstolos. Um crescente. Desenvolver hábitos avivalistas e não apenas cruzadas, congressos e movimentos de avivamento. Avivamento deveria ser praticado no culto doméstico. O pai um avivalista, a mãe, o filho, o diretor de Jovens, o pastor local. Avivamento deve ser a agenda normal do dia do cristão e não uma fase que vem e passa. Deveríamos dar menos ênfase em eventos e mais ênfase em gestos simples, em hábitos diários de oração, estudo, comunhão etc. Fica aqui essa sugestão prá juventude pensar. É hora de quebrar paradigmas. Só assim teremos avivamentos sólidos e não cíclicos e passageiros.

 

JuventudeWesleyana.com.br – Deixe a sua mensagem para a Juventude Wesleyana.

 

Rev. Anderson Caleb – Valorizem os pequenos hábitos. Valorize a oração em pequenos grupos, não se iluda com mega shows, mega culto, mega pastor, Deus não revelou as megas revelações aos mega sábios e entendidos, mais aos pequeninos (Mateus 11.25). Não se conforme com seu estado, você e eu podemos melhorar. Não desperdice o que já se aprendeu, valorize e estude a experiência do passado. Conheça melhor a história de sua Igreja. Porém ouse avançar, conquistar novas terras, novos espaços para Deus. Não abra mão de orar e ouvir Deus. Acredite no futuro com Deus. INVISTA! Ninguém colhe amanhã se não plantar hoje. Estude, leia, floresça onde Deus te plantou primeiro, depois busque horizontes maiores. Você é do tamanho do seu sonho. Eu acredito na juventude wesleyana. Sou fruto desta juventude.

 

 

 

A Juventude Wesleyana da 1º Região agradece ao querido Rev. Anderson Caleb por esta entrevista.

 

 

   
JUVENTUDE WESLEYANA - 1 REGIÃO ECLESIÁSTICA
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