“Ensina a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Provérbios 22:06). Esta verdade bíblica, ensinada pelo sábio Rei Salomão, pode ser exemplificada através da vida do Rev. Vitor Amorim Claveland Jr.
Nascido e criado em uma família cristã, desde cedo aprendeu as sagradas escrituras e teve o privilégio de conhecer a Deus dentro do seu próprio lar. A dedicação e zelo dos seus pais na obra do Senhor serviram como referência para a sua vida espiritual: “As experiências dos meus pais em vigílias, visitas e cultos ao ar livre formaram um pouco o pano de fundo das minhas experiências cristãs”.
Filho de pastor wesleyano, foi batizado aos 14 anos, trabalhou na Juventude Wesleyana onde foi diretor e supervisor distrital, participando ativamente das programações.
Atualmente, ele é o Secretário Regional de Educação Cristã, mas o seu envolvimento com a área de ensino não é de hoje. Entre as muitas funções que já exerceu na igreja, foi professor de adolescentes e jovens, superintendente de EBD, comentarista de diversas lições de “Explicando as Escrituras” (Revista EBD) e é professor no CEFORTE (Centro de Formação Teológica) há mais de 15 anos. Com toda a sua experiência na área, faz uma observação importante sobre a Escola Bíblica Dominical: “o grande desafio que ainda enfrentamos, além do preparo dos professores, é a ausência de estrutura física das igrejas para funcionamento de uma EBD com salas equipadas e adequadas ao ensino”.
O Rev. Vitor é o que podemos chamar de “prata da casa”, pois toda a sua formação cristã aconteceu na Igreja Metodista Wesleyana. Nascido em 1966, acompanhou de perto os primeiros passos da igreja e o grande avivamento derramado pelo Senhor naqueles anos. Trabalhou na Juventude, recebeu o chamado para o ministério e se lançou nas mãos do nosso Deus para realizar a Sua obra.
É Bacharel em Teologia, cursa o 10º período da faculdade de Direito, casado com Luciande Dimas Claveland e pai de Filipe. É pastor da IMW Central de Petrópolis e Superintendente Distrital.
Nesta entrevista exclusiva, ele nos conta a sua história, nos fala sobre o uso da mídia na evangelização, EBD, a importância da formação secular e muito mais. Leia e seja edificado através deste super bate-papo com este homem de Deus.
JuventudeWesleyana.com.br – Fale-nos um pouco sobre sua história como um jovem wesleyano.
Rev. Vitor Claveland – Bom, sou filho de pastor Wesleyano, (Pr. Victor Amorim Claveland), minha mãe (Elza Alves Claveland) era Metodista e meu pai converteu-se um pouco mais tarde. Meus avós também eram cristãos Metodistas. Nasci em 66 e tive o privilégio de ser criado em um lar cristão. E quando pequeno acompanhar o nascimento da Igreja Metodista Wesleyana e o grande avivamento derramado pelo Senhor naqueles anos.
As experiências dos meus pais em vigílias, visitas e cultos ao ar livre formaram um pouco o pano de fundo das minhas experiências cristãs. Tornei-me um membro da igreja aos 14 anos, tendo sido batizado pelo Pr. Elisiário Alves dos Santos, hoje bispo. Comecei a me inteirar mais na igreja e tive na minha formação como jovem wesleyano grande influência do nosso diretor de jovens, na época Sinvaldo Corrêa Coelho, hoje também bispo. Tive como diretores bispo Sinvaldo, Pr. Fernando Hammes, fui diretor de jovens por 2 anos e supervisor distrital por 1 ano. Trabalhei com o irmão Jessé Cândido, com Pr. Solimar Pinheiro na época como supervisor distrital de jovens. Foram tempos de uma geração muito abençoada e de uma formação bastante contundente, afinal eram pessoas que se davam mesmo pelo reino de Deus.
Lembro-me dos nossos cultos ao ar livre na praça da liberdade (Petrópolis, RJ), todos os domingos a tarde, dos evangelismos, dos ensaios da mocidade, foi um tempo muito marcante para mim e de muitas experiências, inclusive meu batismo com Espírito Santo, que se deu numa reunião de jovens no cenáculo antes de um culto de domingo. Foi uma experiência inesquecível e muito importante que me levou mais tarde a me decidir pelo ministério. Tive como pastores pessoas muito especiais, Pr Orielle Nascimento, Pr. Elisiário A. dos Santos, Pr. Natanael, Pr. Gessi, Pr. Eder Barbosa, Pr. Claudio Divino, Pr. Jorge Videira, Pr. Fernando Hammes dentre outros que marcaram muito minha vida.
Na verdade foram momentos que jamais vou me esquecer.
JuventudeWesleyana.com.br – A Juventude Wesleyana é supervisionada pela Secretaria Regional de Educação Cristã, tendo o senhor como atual Secretário. Qual é a sua opinião sobre o trabalho realizado pelo irmão Gustavo Costa e pela diretoria regional neste biênio?
Rev. Vitor Claveland – Tenho dito que me sinto muito feliz em poder trabalhar com os departamentos regionais, afinal ganhamos amigos e pude ver de mais perto o quanto a IMW é rica. Digo que a igreja é rica por seus valores humanos e ministeriais. São pessoas capazes, talentosas e muito dinâmicas. Trabalhar com os departamentos e em especial com os jovens só me dá muito prazer. Faz a gente voltar um pouco no tempo, esquecer os pesos administrativos e reviver momentos de liberdade, despojamento e de muita, muita alegria. Trabalhar com o Gustavo em especial tem sido muito fácil e prazeroso, pois é um jovem enraizado na IMW de bom caráter e muito, muito dinâmico. Gustavo tem feito a obra com muito zelo, sendo um liderado obediente e cheio do Espírito Santo. Louvo a Deus pela formação e educação que seus pais o deram. Tem sido muito bom trabalhar com jovens com este perfil. Destaco também o trabalho do louvor Regional que em todos os eventos marcam com muita unção e poder, e também o trabalho de formação de novos pregadores, achei a idéia genial. Parabéns a todos!
JuventudeWesleyana.com.br – Como aconteceu o seu chamado para o Ministério? Conte-nos um pouco sobre a sua trajetória ministerial.
Rev. Vitor Claveland – Meu chamado aconteceu entre os quinze e dezesseis anos, comecei a me envolver com os jovens como disse acima, e me sentir realizado com o que fazia, até que numa reunião de jovens na casa do irmão Mário Luiz Paschoaleto, Deus o usou confirmando o chamado ministerial, dizendo que estava colocando uma espada em uma mão e um cajado em outra, confirmando assim que estava me concedendo o dom da palavra e a autoridade para pregar o evangelho e o cajado que significava o pastoreio. Lembro-me que em um encontro distrital de jovens na Igreja de Benfica (Petrópolis/ RJ), tinha sido convidado para pregar e Deus deu ao Pastor Moreira uma visão de que eu estava com um diploma na mão e pregava para muita gente, muita gente mesmo. Lembro-me que chorei muito e testifico que vi as promessas de Deus cumpridas, nem uma só de suas palavras caiu no esquecimento, Deus é fiel! Quando fui convidado para pregar no Maracanazinho no evento de nossa igreja Deus fez vir a minha mente todas aquelas palavras que tinha ouvido ainda na minha juventude. A Deus toda glória, Ele é fiel!
Na igreja trabalhei como professor de adolescentes e jovens, superintendente de EBD, como diácono, diretor de jovens, supervisor distrital de jovens, como conselheiro de adolescentes, líder de louvor, evangelista, dentre outras funções. Cada momento foi um grande aprendizado. Entrei para o ministério em Dezembro de 1992, fui aspirante por dois anos, consagrado em 1995, ordenado ministro em 1998, fui pastor ajudante da IMW Central de Petrópolis, titular em Bangu por quase sete anos e titular da Central de Petrópolis já a cinco anos. Sou professor do CEFORTE desde 1993 e fui eleito Secretário Regional de Educação em Dezembro de 2004.
JuventudeWesleyana.com.br – Na sua opinião, quais são os maiores desafios para o pastor evangélico nos dias de hoje?
Rev. Vitor Claveland – Penso que o maior desafio do pastor inserido na pós-modernidade é acompanhar mudanças, mantendo-se fiel aos princípios e a ética apostólica e bíblica. Digo isto porque faço parte de um grupo que entende que em alguns aspectos a igreja não pode ser a mesma, veja bem, disse a vocês que quando jovem saia todas as tardes de domingo para evangelizar na praça, lembro-me que arrastávamos ladeira a baixo um “tremendão” à válvula e um microfone, hoje estas coisas além de estarem obsoletas já não atraem mais, é preciso novos instrumentos e novos meios para transmitirmos a mesma essência. A grande questão é dosar a atualidade com a essencialidade apostólica. Nosso grande desafio é achar a medida do moderno que não seja vazio, do atual que não seja imoral e do atrativo que continue bíblico. Se acharmos esta medida, acertaremos em cheio o coração do nosso homem pós-moderno.
JuventudeWesleyana.com.br – Atualmente, o senhor tem um programa de TV diário que é transmitido para o município de Petrópolis. Qual é a importância da utilização dos meios de comunicação para a pregação do evangelho e divulgação da igreja?
Rev. Vitor Claveland – Tenho ficado surpreendido pelos resultados e pelo retorno de um mês de programa de Tv. O programa chama-se “encontro de vida”, é um programa de segunda a sexta - feira com 35 minutos de duração. Ele se divide em um bloco de entrevista chamado papo de vida, um bloco de adoração e um bloco de ministração da palavra de Deus que chamamos de palavra de vida. O formato foi idealizado com uma linguagem fácil, atual e sem o “evangeliquêz” tão antipatizado pelos não crentes. Nossa perspectiva tem sido mostrar um crente atual, inserido dentro do contexto social da cidade e altamente produtivo e relevante. A receita tem dado muito certo, temos nos tornado um dos programas de maior audiência da emissora e recebido muitos elogios por parte destes e de outros, quanto a qualidade do conteúdo, da qualidade técnica e do formato do programa. Não tínhamos idéia do poder de alcance deste instrumento, superou em muito nossas expectativas. O programa é transmitido pela TV ADONAI, canal 15 Tech Cable, e tem alcançado em torno de 90.000 assinantes. É um grande desafio, pois nossa igreja ainda não tem essa cultura e tenho que levantar patrocinadores, empresas, mas Deus tem sido fiel e nada nos tem faltado. Tenho recebido e-mails, pessoas nas ruas que testemunham que esse instrumento e esse formato estão dando muito certo. Tenho uma vida muito corrida, estou concluindo a faculdade de direito, dou aula no seminário, exerço função distrital e regional, então sacrifiquei a segunda feira de folga para gravar os programas, a experiência está sendo muito gratificante e tem me feito crescer muito. Tô amando fazer o que estou fazendo. Meu contrato vai até Dezembro e a partir daí, o restante é com Deus.
JuventudeWesleyana.com.br – Além de teólogo e pastor, o senhor está cursando a faculdade de Direito. Na sua visão, qual é a importância da formação secular na vida do obreiro?
Rev. Vitor Claveland – Por ser filho de crente e ter me batizado ainda adolescente fui poupado de muitas experiências amargas no mundo, no entanto, esse convívio só com cristãos, nos faz adquirir uma linguagem própria, um estilo peculiar e de certa forma nos faz perder um pouco do contexto secular. A Faculdade pra mim tem sido uma maneira de me atualizar com respeito à formação acadêmica, pois nosso momento e nossos liderados têm exigido cada vez mais, mas não apenas isto, na verdade esta oportunidade tem me feito compreender melhor o pensamento dos jovens, suas crises, suas ameaças. Isso torna a gente mais humano e nos faz enxergar melhor quais estratégias são eficazes para alcançá-los no nosso tempo. Posso dar exemplo do programa de TV, tenho sido surpreendido pelo número de colegas de classe que vêem e testemunham do que aprenderam. Além do que ter uma formação de nível superior para mim sempre foi um grande sonho. Meus pais são pessoas simples de formação fundamental e vencer este limite para mim e para minha família significa uma grande conquista.
JuventudeWesleyana.com.br – Sem dúvida, a Escola Bíblica Dominical (EBD) continua sendo uma ferramenta eficaz no ensino da Palavra de Deus aos crentes. Como está a EBD em nossa denominação atualmente?
Rev. Vitor Claveland – Temos tido resultados bastante significativos no nível de participação dos membros, temos crescido muito no conteúdo e na formatação de nossas revistas, mas para mim o grande desafio que ainda enfrentamos, além do preparo dos professores, é a ausência de estrutura física das igrejas para funcionamento de uma EBD com salas equipadas e adequadas ao ensino. Nós pensamos no templo, pensamos nas cantinas, na cozinha, no som, mas não incluímos no projeto da construção da igreja a estrutura para ensino. Temos salas pequenas, quando as temos, deficiência de iluminação e adequação do mobiliário apropriado para ensino. Acho que esta é uma grande deficiência nossa neste tempo. A maioria das igrejas está envolvida com a ampliação do templo, mas quantas você conhece que estão reformando as salas e o mobiliário para a EBD?
JuventudeWesleyana.com.br – O nosso tema para este biênio (2008/2009) é Geração do Coração Abrasado. É possível um verdadeiro avivamento nos dias de hoje?
Rev. Vitor Claveland – É possível um verdadeiro avivamento sempre, pois na descida do Espírito Santo em Atos dos Apóstolos, quando Pedro foi chamado a explicar o que estava acontecendo ele diz no capítulo 2 verso 39 “porque esta promessa, é para vós e para vossos filhos para sempre e para todos quantos, o Senhor nosso Deus chamar”. Assim o que Pedro disse foi a partir de hoje esta promessa deixa de ser só para os Apóstolos e passa a ser uma promessa que estará sobre todos aqueles que vierem a crer no nome de Jesus, assim se você puder crer a promessa do derramamento do Espírito será sua também.
JuventudeWesleyana.com.br – Deixe uma mensagem para a Juventude Wesleyana.
Rev. Vitor Claveland – 1 Jo 2.14 “[...] Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o maligno.”

A Juventude Wesleyana da 1º Região agradece ao Rev. Vitor Claveland, não só por esta entrevista, mas também pelo apoio que tem dado ao nosso trabalho. Muito obrigado!